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#RPSP 19/04/2025
Gênesis 3 – A queda e a promessa
“Então o Senhor Deus disse à serpente: Porque fizeste isso, maldita és entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida.” (Gn 3:14)
Gênesis 3 é um dos capítulos mais importantes da Bíblia. Aqui se explica a origem do pecado humano, o sofrimento universal e, sobretudo, a primeira promessa messiânica. A harmonia do Éden é quebrada, mas a graça de Deus surge antes do juízo.
O capítulo inicia com uma figura misteriosa: a serpente (הַנָּחָשׁ, hanachash), mais astuta que todos os animais. Ela não é uma cobra comum, mas uma representação simbólica de um ser espiritual rebelde. Apocalipse 12:9 a identifica claramente como Satanás.
O diálogo entre a serpente e Eva revela a tática do inimigo:
- Questionamento sutil: “É verdade que Deus disse…?” (v.1)
- Negação direta: “Certamente não morrereis.” (v.4)
- Reinterpretação distorcida: “Sereis como Deus…” (v.5)
A resposta humana é trágica: Eva vê, toma e come, os mesmos verbos usados positivamente em Gênesis 2, agora distorcidos pela rebelião.
A estrutura do texto revela ironias profundas. O casal queria “ser como Deus” (v.5), mas ao pecar, esconde-se de Deus (v.8). O pecado rompe relacionamentos: entre o ser humano e Deus, entre o homem e a mulher, entre o homem e a terra.
Em Gênesis 3:15, temos o protoevangelho, a primeira pregação da salvação:
“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o descendente dela; ele te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
A palavra “descendência” (זֶרַע, zera‘) é um substantivo coletivo, mas o verbo singular “ele ferirá” aponta para um indivíduo específico. Isso antecipa Cristo, o descendente prometido que esmagaria a cabeça da serpente (ver Rm 16:20; Gl 4:4).
Na Mesopotâmia, existiam mitos sobre deuses enganando humanos com imortalidade negada. Mas Gênesis revela o contrário: Deus dá livremente a vida e a comunhão, mas o ser humano escolhe rejeitar.
O uso de folhas de figueira (v.7) e depois a cobertura feita por Deus com peles (v.21) indica o primeiro sacrifício vicário da história: a morte de um inocente para cobrir o pecador, uma poderosa tipologia do Messias.
A queda expôs nossa fragilidade, mas revelou ainda mais a graça divina.
Deus busca o pecador (“Onde estás?”, v.9), condena o mal, mas também promete redenção.
Hoje, ouça a voz de Deus perguntando: “Onde você está?”
Você está se escondendo ou voltando para os braços do Criador?
Ore para que, mesmo em meio às consequências do pecado, você viva pela esperança da promessa: A serpente será vencida. Cristo já venceu.

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