#RPSP 25/04/2025
Gênesis 9 – O arco da Aliança
“Porei o meu arco nas nuvens; será por sinal da aliança entre mim e a terra.” (Gn 9:13)
O mundo pós-diluviano é um novo começo. Deus estabelece uma aliança incondicional com Noé, sua família e toda a criação. Essa aliança não é apenas um contrato, mas uma declaração de graça e compromisso eterno, marcada por um símbolo celeste: o arco nas nuvens.
“Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra.” (v.1)
É a repetição quase exata da bênção de Gênesis 1:28, mostrando que Deus está reiniciando a história da humanidade.
Mas há uma diferença: agora, o medo dos animais por seres humanos é introduzido (v.2), pois o mundo está marcado pela queda e pelo juízo.
“Tudo o que se move e vive servirá de alimento para vocês…” (v.3)
Deus permite, pela primeira vez, o consumo de carne, mas impõe restrições espirituais e morais:
“Não comam carne com sua vida, isto é, com seu sangue.” (v.4)
O sangue representa a vida (cf. Lv 17:11), e por isso deve ser respeitado. O princípio da santidade da vida é central. O sangue pertence a Deus.
“Quem derramar o sangue do ser humano, pelo ser humano o seu sangue será derramado…” (v.6)
Aqui está o princípio do juízo justo e proporcional. O texto baseia o valor da vida humana na imagem de Deus que carregamos. Não se trata de vingança, mas de justiça sagrada.
O clímax do capítulo está nos versos 12–17: a aliança divina com toda a criação.
“Porei o meu arco (קַשְׁתִּי / qashti) nas nuvens…” (v.13)
O termo קֶשֶׁת (qeshet) significa tanto “arco-íris” quanto “arco de guerra” em hebraico.
A imagem é poderosa: Deus pendura o arco de guerra no céu como sinal de que a ira foi aplacada.
É o símbolo da paz divina com a terra.
Essa é a primeira vez na Bíblia que o termo “aliança” (בְּרִית / berit) aparece formalmente e repetidamente (13 vezes no capítulo). E ela é incondicional, Deus promete nunca mais destruir a terra por um dilúvio, independentemente da conduta humana.
Na iconografia do antigo Oriente Próximo, arcos representavam o poder dos deuses em combate. Em selos e pinturas babilônicas, o arco levantado era símbolo de cessação das hostilidades.
A Bíblia subverte esse símbolo ao colocá-lo não nas mãos de um deus guerreiro, mas nas mãos de um Deus de amor que estabelece alianças.
O arco-íris, fenômeno natural, é ressignificado como memorial eterno da misericórdia divina.
Vivemos em tempos de medo, guerras e incertezas. Mas o arco ainda está no céu.
A aliança de Deus permanece. Ele não mudou. Ele ainda é o mesmo.
Você vive sob a certeza da aliança de Deus ou sob o medo do castigo?
Hoje, levante os olhos. Busque o arco. Lembre-se: Deus não está em guerra com você. Ele quer andar com você.

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