#RPSP 12/05/2025
Gênesis 26 / Cavar poços em tempos de seca
“Naquela mesma noite o Senhor lhe apareceu e disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, seu pai. Não tenha medo, porque Eu estou com você…’” (Gn 26:24)

Gênesis 26 é o único capítulo focado exclusivamente em Isaque como personagem principal.
Nele, vemos um novo ciclo de fome, medo, mentira, bênção, conflito e fé… como aconteceu com seu pai Abraão.
Mas o texto mostra algo profundo: a fé não se herda pronta, ela precisa ser cavada, poço por poço.
“Houve fome na terra…” (v.1)
A repetição do cenário do capítulo 12 mostra que os patriarcas passaram por provações semelhantes.
Mas desta vez, Deus impede Isaque de ir ao Egito. Ele deve permanecer na terra da promessa e aprender a depender de Deus ali.
“Habite nesta terra como estrangeiro, e estarei com você e o abençoarei…” (v.3)
O verbo “habitar como forasteiro” (גּוּר / gur) implica viver como peregrino, com dependência.
Mas a promessa é firme: “estarei com você”, a mesma expressão que Deus usará com Jacó (Gn 28:15), Moisés (Êx 3:12) e Josué (Js 1:5).
“Isaque ficou em Gerar.” (v.6)
Obedecer à ordem de Deus nem sempre traz conforto imediato. Gerar era território dos filisteus, e Isaque enfrentaria tensões ali.
“É minha irmã…” (v.7)
Isaque repete o erro de Abraão, provando que as fraquezas também se repetem nas gerações.
No entanto, Deus intervém novamente por fidelidade à aliança.
“Naquele ano, Isaque colheu cem por um…” (v.12)
Esse é um milagre agrícola! Em tempos de fome e solo seco, Deus abençoa com colheita extraordinária.
É a confirmação de que a fidelidade traz provisão além da lógica.
“Os filisteus o invejavam…” (v.14)
A bênção gera oposição. Os poços cavados por Abraão são entulhados. Inveja busca sufocar as fontes da bênção.
“Isaque cavou novamente os poços…” (v.18)
Esse é o ponto central do capítulo: Isaque reabre os poços do passado e cava novos.
Cada poço tem um nome, um conflito, uma memória:
- Eseque = contenda.
- Sitna = inimizade.
- Reobote = espaço amplo.
- Berseba = juramento.
Isaque não briga pelas águas, ele avança.
A fé madura não insiste em disputar tudo, ela cava novos caminhos.
“Naquela mesma noite o Senhor lhe apareceu…” (v.24)
Deus fala quando Isaque para de contender e se firma em Berseba.
Ali, o Senhor repete a promessa feita a Abraão, mas agora, ela é pessoal para Isaque.
A fé se torna dele, não apenas herdada.
“E ele edificou ali um altar, invocou o nome do Senhor, armou sua tenda e cavou um poço.” (v.25)
Essa sequência revela a espiritualidade madura de Isaque:
- Adoração (altar),
- Relacionamento (invocar o nome),
- Estabilidade (tenda),
- Sustento (poço).
“Vimos claramente que o Senhor está com você…” (v.28)
Até os inimigos reconhecem quando a bênção de Deus é evidente.
O pacto com Abimeleque fecha o ciclo de conflitos, agora com paz.
Cavar poços era essencial no sul de Canaã, onde os rios eram escassos. Poços representavam vida, propriedade, estabilidade.
A prática de reabrir poços antigos mostra respeito à herança e compromisso com o futuro.
Berseba é um dos locais mais antigos com registro arqueológico de adoração monoteísta associada ao nome de YHWH.
Gênesis 26 nos mostra que a fé não é apenas recebida, é construída.
Você herda promessas, mas precisa cavar seus próprios poços.
Quais “poços” da fé você precisa reabrir ou cavar hoje?
Ore para que Deus o ajude a avançar com mansidão, perseverança e confiança, até que você possa dizer:
“O Senhor está comigo, e me fez crescer nesta terra.”
