#RPSP 21/05/2025
Gênesis 35 / Voltando ao começo
“Levante-se, vá para Betel, habite ali e faça um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia de Esaú, seu irmão.” (Gn 35:1)

Depois da tragédia moral de Gênesis 34, Deus fala novamente. O capítulo 35 é um chamado ao recomeço. A ordem de voltar a Betel não é apenas geográfica, mas espiritual. Deus convida Jacó a retornar ao lugar onde tudo começou: à presença, à aliança, à adoração. É um convite à purificação, à memória e à renovação da identidade.
“Levante-se, vá para Betel…” (v.1)
O verbo “levantar” (קוּם / qum) indica ação urgente. Deus chama Jacó a sair de Siquém, onde houve engano, e voltar para Betel, lugar de promessa. Betel (בֵּית־אֵל) significa “Casa de Deus”, o lugar onde Jacó viu a escada para o céu (Gn 28).
“Livrem-se dos deuses estrangeiros… purifiquem-se…” (v.2)
Essa é a primeira purificação coletiva na história de Israel. Jacó pede arrependimento, mudança de roupas (símbolo de renovação) e a remoção dos ídolos. Raquel ainda guardava os terafins. Agora, é hora de enterrá-los sob o carvalho de Siquém, um gesto público de rompimento com o passado.
“Deus fez cair terror sobre as cidades ao redor…” (v.5)
Mesmo em fraqueza, Deus protege. Os vizinhos que poderiam vingar a matança de Siquém são dominados pelo temor. Deus guarda Jacó não por merecimento, mas por graça e aliança.
“Construiu ali um altar e chamou o lugar El-Betel” (v.7)
“Deus da Casa de Deus”, um reconhecimento de que o lugar só é sagrado porque Deus está lá. Jacó agora adora não apenas o local, mas o Deus do local. Sua fé amadurece.
“Débora, ama de Rebeca, morreu…” (v.8)
Uma figura silenciosa, mas importante. Sua morte marca o fim de uma geração. Ela é sepultada sob o “carvalho do pranto”, símbolo de luto profundo, mas também de raízes firmes na história.
“Deus apareceu novamente a Jacó e o abençoou…” (v.9)
Essa é a segunda teofania de Deus a Jacó. Deus repete o novo nome: Israel. E reitera a promessa feita a Abraão: nação, terra e descendência real. A bênção é reconfirmada mesmo após falhas.
“Erigiu uma coluna de pedra… e derramou sobre ela libação e azeite.” (v.14)
Esse ritual simboliza consagração total: o vinho (alegria, aliança) e o azeite (unção, consagração). A coluna não é idolatria, mas memorial. A fé precisa de marcos visíveis de compromisso.
“Partiram de Betel. E, havendo ainda pequena distância para chegar a Efrata, Raquel deu à luz…” (v.16)
O capítulo que começa com renovação também fala de perda. Raquel morre no parto, e com lágrimas dá nome ao filho: Benoni (“filho da minha dor”), mas Jacó o chama de Benjamim (“filho da minha mão direita”). É o último dos doze filhos. A dor não impede o cumprimento da promessa.
“Israel partiu…” (v.21)
Agora o texto usa o novo nome. Jacó não é mais o enganador, mas aquele que caminha com Deus. E sua jornada prossegue, marcada por perdas, bênçãos e fé.
“Isaque morreu… e Esaú e Jacó o sepultaram.” (v.28–29)
O capítulo termina com a morte de Isaque, o fim de uma geração, e o reencontro dos irmãos em paz. Como aconteceu com Abraão (Gn 25), os filhos se unem para enterrar o pai, sinal de que a reconciliação permanece.
Betel era um antigo centro religioso cananeu. Ao purificá-lo e consagrá-lo a YHWH, Jacó estabelece a soberania do Deus de Israel sobre o território. A prática de enterrar ídolos, erigir colunas e mudar nomes após encontros com Deus era comum em tradições semitas, mas em Gênesis, tudo é reinterpretado pela ação divina.
Você também já esteve em Siquém, lugar de engano, sangue e idolatria. Mas Deus chama você de volta a Betel, lugar de presença, aliança e altar. Voltar a Betel é reconhecer que só há esperança quando o Senhor está no centro.
Há ídolos que você precisa enterrar hoje? Há uma Betel que você precisa revisitar?
Ore hoje para que sua fé seja renovada, suas vestes sejam limpas, e sua jornada com Deus continue, mesmo com dores, até o cumprimento da promessa.
