#RPSP 19/01/2026
2 Samuel 11 / Quando o rei parou de vigiar
“Na primavera do ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, Davi ficou em Jerusalém.” (2Sm 11:1)

O capítulo 11 de 2 Samuel é um dos textos mais sombrios e teologicamente densos da narrativa davídica. Ele não começa com uma queda repentina, mas com uma omissão perigosa.
“Na primavera do ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, Davi ficou em Jerusalém.” (2Sm 11:1)
A frase é carregada de ironia. O verbo hebraico “ficar, permanecer” (yāshav) contrasta com a expectativa do dever real. Davi permanece onde não deveria estar. O pecado começa quando o lugar errado se torna confortável.
Do terraço, Davi vê Bate-Seba. O verbo “ver” (rāʾāh) aqui não descreve apenas percepção visual, mas desejo deliberado. O olhar não é neutro. Ele conduz à ação.
“Davi mandou perguntar quem era a mulher.” (v.3)
O verbo “enviar” (shālaḥ) aparece repetidamente no capítulo. Davi envia mensageiros, envia ordens, envia Urias à morte. O rei que antes era instrumento de livramento agora usa o poder para encobrir o pecado.
Urias, o heteu, demonstra uma fidelidade que contrasta com a queda de Davi. Ele se recusa a ir para casa enquanto a arca e o exército estão em campanha. Sua postura revela um senso de santidade que o rei havia perdido.
“Porém a coisa que Davi havia feito foi má aos olhos do Senhor.” (v.27)
O texto encerra o capítulo com uma sentença teológica decisiva. O verbo “ser mau, perverso” (rāʿaʿ) não avalia apenas o adultério ou o homicídio, mas todo o encadeamento de escolhas. O que parecia oculto aos homens estava completamente exposto diante do Senhor (YHWH).
2 Samuel 11 nos ensina que grandes quedas espirituais raramente começam com grandes atos. Elas começam com pequenas concessões, com a ausência no lugar certo, com o olhar não vigiado e com o uso indevido da autoridade.
Onde você deveria estar espiritualmente e não está? Que decisões pequenas hoje podem evitar quedas grandes amanhã?
Que hoje o Espírito Santo nos conceda vigilância interior. Que não permaneçamos onde não deveríamos estar, nem usemos dons, posições ou influência para satisfazer desejos que nos afastam de Deus.
